Agosto 2, 2008 às 12:22 am (Pessoais)
As férias foram boas. A chuva só apareceu a espaços, o sol foi bom e a companhia estava a condizer. Infelizmente, a minha internet é uma porcaria e só hoje, quase três dias depois, pude finalmente aceder ao blogue.
Quanto ao resto, o Rui Afonso tinha razão: GEB é bom, muito bom, mesmo. O autor, Douglas Hofstadter, classificou-o como uma tentativa de explicar como a consciência pode emergir naturalmente de determinados padrões imateriais.
O resultado é um livro apaixonante, intrigante, denso e tremendamente complexo. Mas também é pesado e, por vezes, bastante árido. As primeiras 120 ou 150 páginas são dedicadas a sistemas formais e na página 200 ainda não se percebeu bem aonde é que o homem quer chegar. A Metodologia da Economia e A Pobreza do Historicismo, de Popper, têm disputado com GEB a minha atenção nos últimos dias.
Entretanto, já tenho quarto em Lisboa. A velhinha é uma simpatia, e a casa está impecável. Só dispensava a foto XXL de Nosso Senhor Jesus Cristo na parede junto à cama. A senhora disse que é para me proteger - basta acreditar; mas eu penso que o efeito é o mesmo quer para quem acredita quer para quem não acredita…
Ah, e o Phillipe tinha razão no prognóstico: The Dark Knight é mesmo o melhor Batman de sempre. A história foi bem conseguida (muito melhor do que qualquer dos últimos três filmes) e Heath Ledger tem um papel fabuloso como Joker. Jack Nicholson fica a léguas.
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Julho 20, 2008 às 11:52 pm (Pessoais)
O blogue já andava de férias mas agora é a minha vez de me juntar a ele. A partir de amanhã, e durante sete dias, vou estar perto do mar e longe da internet. O calor em Braga é insuportável e estou a precisar de arejar antes da ida para Lisboa. Vou, claro, bem acompanhado. E quando voltar digo se é bom.
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Julho 13, 2008 às 12:29 am (Desporto, Portugal, Recomendado)
Já vem tarde, mas, infelizmente, só descobri o texto hoje. José António Saraiva, sobre o Portugal 1 - 3 Alemanha.
Qual não foi o meu espanto quando, ao chegar a casa, vi uma mesa-redonda de comentadores ‘a sério’ (não ‘de sofá’), todos a darem ‘científicas’ opiniões sobre o jogo, a falarem das razões da derrota, de táctica e de estratégia, de «entre-linhas», de «passes de ruptura», numa geringonça de palavras que procurava explicar o resultado.
E eu voltei a interrogar-me, como se tivesse visto outro jogo: ‘Mas não dependeu tudo daqueles dois livres quase iguais? Não foi aí que tudo ficou decidido? E que tem isso a ver com «entre-linhas» e coisas que tais?’.
Apercebi-me, então, de um facto recorrente nos comentários futebolísticos: os comentadores não comentam propriamente o jogo – antes tentam explicar o resultado. Isto é: comentam o jogo a partir do resultado. Se uma equipa perdeu, vão à procura daquilo que ela fez mal; se ganhou, lá vão tentar descobrir-lhe as virtudes.
(…)
Como no futebol se marcam hoje muito poucos golos, os factores aleatórios tornam-se frequentemente decisivos. Se numa das balizas uma bola passar uns centímetros ao lado de um poste, e na outra baliza um remate semelhante bater no poste e entrar, isso pode inverter o resultado de um jogo.
E não tem nada que ver com táctica, ou estratégia, ou entre-linhas, ou passes de ruptura. Tem a ver, simplesmente, com o imponderável.
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Julho 13, 2008 às 12:12 am (Criminalidade, Humor, Politicamente Correcto, Portugal)
No Diário de Notícias de hoje (versão impressa, sem link), o deputado do PCP António Filipe comenta o tiroteio de Loures. Como de costume, está mais preocupado com quem dá os tiros do que com quem leva com eles. É qualquer coisa neste tom: «A acção policial deve ser feita de forma a não estigmatizar as pessoas do bairro, que têm problemas graves».
Que as pessoas do bairro têm problemas graves, como não conseguirem viver numa sociedade civilizada, parece-me óbvio. Quanto ao não estigmatizar, já me parece mais difícil; primeiro, porque tratar de criminosos, pelo menos de forma mais substancial do que através de meras palavras de circunstância, implica sempre alguma forma de estigmatização; segundo, porque este pessoal costuma sentir-se estigmatizado com muito pouco. Uma sensibilidade forjada no calor da estigmatização, provavelmente…
Em todo o caso, penso que pelo menos neste particular o próprio António Filipe pode dar um contributo pessoal. Quando a lei começar a ser cumprida e esta malta passar a ver a cadeia do lado de lá das barras, é sempre possível fornecer um local mais recatado, aconchegante e acolhedor para os receber. Um local onde não haja exclusão, segregação ou estigmatização.
Bom, eu sugiro a casa do António Filipe.
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Julho 11, 2008 às 1:11 am (Economia, Política Nacional, Portugal, Teoria Política & Social)
O debate acerca da crise tem um problema de base. É que é um debate feito por políticos e seguido por eleitores. Esta estrutura tende a privilegiar determinadas explicações em detrimento de outras: os políticos preferem as explicações que maximizam a probabilidade de serem eleitos e as que minimizam as probabilidades de serem ostracizados pela opinião pública.
O resultado é que a crise passa a ser vista como um problema político. Isto é um pau de dois bicos. O bico da frente serve para alfinetar o Governo: como o problema é político, o culpado é político; o bico de trás serve para vender o próprio peixe, porque para um problema político há sempre uma solução política e, com ela, um político ansioso por ser eleito.
Claro que depois há diferenças de pormenor em relação aos variados peixes. Compreende-se, porque na política, como no mundo dos negócios, também é preciso atacar um target e segmentar o mercado. E a maioria dos peixes até cheira mal; mas, infelizmente, a política é, aparentemente, a única actividade em que o vendedor pode ser um aldrabão sem que haja uma ASAE a actuar.
Finalmente, nenhum político culpará os próprios portugueses da crise. Não interessa ostracizar quem lhes dá de comer - ou, no caso, quem os conduz (ou reconduz) ao poder. Nenhum português saberá que a resposta à crise vem, antes de tudo, do seu trabalho, do seu esforço e do seu labor. Nenhum português suspeitará de que a escassa produtividade, o fraco crescimento e a inércia económica são problemas que se solucionam com mais trabalho e não com mais política.
O engodo é auto induzido e convenientemente repetido pela classe política. É um paradoxo engraçado que a classe seja vista como panaceia para todos os males quando é precisamente ela que os ajuda a propagar. E é trágico que o empobrecimento dos portugueses seja uma das condições para a sua subsistência.
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Junho 23, 2008 às 1:49 am (Desporto, Portugal)
1. Qualquer português percebe mais de táctica do que o Scolari. O Scolari comete erros óbvios que nenhum português cometeria, tais como colocar o Cristiano Ronaldo na esquerda e manter um meio-campo com uma média de alturas de 1,70m. Os erros são tão óbvios que a insistência apenas se explica com a burrice do Scolari (que, aliás, foi campeão do mundo).
2. Os portugueses pensam que a selecção nacional é um portento do futebol europeu, bastante acima de qualquer outra selecção. Só assim se explica que a eliminação contra uma das equipas mais galardoadas da Europa seja vista como um falhanço a todos os níveis.
3. Os portugueses traçam expectativas irrealistas tendo em conta o passado histórico. Portugal nunca ganhou uma competição mas os portugueses fazem questão de colocar a equipa nacional entre os favoritos para a vitória. Isto é mais ou menos o mesmo que dizer que o SC Braga é favorito num ano em a safra do defeso tenha sido boa.
4. Os portugueses não fazem ideia da natureza profundamente aleatória de um jogo de futebol. Só assim se explica que condenem um treinador por causa de um jogo. Os jogos são em grande parte ditados por factores aleatórios (e por isso é normal equipas fracas ganharem competições em jogos a eliminar mas não o fazerem durante campeonatos disputados de forma comulativa). A qualidade é um parâmetro que apenas se avalia no longo prazo.
5. Os portugueses não têm critérios estáveis para a avaliação da qualidade. Peroram contra o treinador responsável pelo melhor período de sempre da selecção, depois de euforias várias com treinadores que fizeram bem menos.
6. Os portugueses conseguem avaliar escolhas na base das quais está informação à qual não têm acesso. Grande parte das opções de um treinador é tomada com base em dados dos quais ninguém de fora do grupo técnico sabe alguma coisa.
7. Os portugueses são óptimos a fazer previsões a posteriori. O guarda-redes Ricardo foi criticado em 2004 por não estar em forma, críticas que se repetiram agora. Em 2004 foi herói e as críticas desapareceram. Em 2008 foi vilão e as críticas mantiveram-se. No final, é fácil ouvir-se: «Eu bem avisei que aquele tipo não presta».
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Junho 14, 2008 às 10:49 pm (Corporativismo, Economia, Política Nacional, Portugal, Uncategorized)
A caixa de pandora, no Diário de Notícias.
“O Governo tem de nos ouvir. Queremos combustíveis mais baratos e gasóleo agrícola com maior desconto”, reclama a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), especificando que o desconto sobre o gasóleo verde deverá passar dos actuais 37,2 cêntimos por litro para 75 cêntimos para compensar o agra- vamento dos preços.
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Junho 12, 2008 às 11:08 pm (América Latina, Política Internacional)
Os cubanos renderam-se ao capitalismo selvagem. No El País.
El Gobierno de Raúl Castro ha dado de plazo hasta el mes de agosto para que todas las empresas estatales comiencen a aplicar un nuevo sistema de “pago por resultados”, que elimina los topes salariales y establece como principio general que cuanto más produzca un trabajador, más sueldo ganará. La medida liquida el “igualitarismo salarial” que ha imperado en Cuba durante décadas y, según analistas, es la disposición económica más realista y trascendente adoptada desde que Fidel Castro abandonó el poder debido a una grave enfermedad.
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Junho 9, 2008 às 11:28 pm (Economia, Portugal)
Alfredo Bruto da Costa sabe como combater a pobreza. A solução é aumentar os salários e democratizar as empresas. Isto é curioso. Portugal é, provavelmente, o país com mais gestores de bancada do planeta. Infelizmente, o número é inversamente proporcional à quantidade de empreendedores dispostos a criar uma empresa.
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